terça-feira, 26 de julho de 2011

Pedaços de mim


Eu sou feito de                            
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.
Martha Medeiros

domingo, 24 de julho de 2011

Conselhos de Artur da Távola

                                
Aos que não casaram,
Aos que vão casar,
Aos que acabaram de casar,
Aos que pensam em se separar,
Aos que acabaram de se separar.
Aos que pensam em voltar...

Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja.
O AMOR É ÚNICO,
como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus.

A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue,
A SEDUÇÃO
tem que ser ininterrupta...

Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança, acabamos por sepultar uma relação que poderia
SER ETERNA

Casaram. Te amo pra lá, te amo pra cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas.
Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes, nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada,
RESPEITO.
Agressões zero.

Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência... Amor só, não basta. Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura, para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver
BOM HUMOR
para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades.
Tem que saber levar.

Amar só é pouco.
Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas para pagar.
Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar.
Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar.

Entre casais que se unem , visando à longevidade do matrimônio, tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um.
Tem que haver confiança. Certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão.
E que amar "solamente", não basta.

Entre homens e mulheres que acham que
O AMOR É SÓ POESIA,
tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado.

O amor é grande, mas não são dois.
Tem que saber se aquele amor faz bem ou não, se não fizer bem, não é amor. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência.
O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.

Um bom Amor aos que já têm!
Um bom encontro aos que procuram!
E felicidades a todos nós!

TER OU NÃO TER NAMORADO



Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.
Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.
Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.
Artur da Távola

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Quer saber? Eu sou assim

Quer sabem quem eu sou, quer me conhecer de verdade? Olhe-me nos olhos, leia meu sorriso, observe meu caminhar, escute o tom da minha voz, pise nos meus calos, ofenda aos que amo, marque um encontro comigo e falte, veja um idoso e o maltrate ou chegue em mim e me destrate. Ah! Eu viro uma fera! Quer ser meu amigo??? Caminhe ao meu lado, confidencie-me coisas ou não diga nada, tenha paciência para escutar minhas queixas, sorria comigo, diga-me onde erro, aceite minhas críticas se elas forem  verdadeiras. Não  me peça para calar se puxo conversa com alguém desconhecido, se troco receitas ou jogo conversa fora, se falo abobrinhas, se sorriu sem conseguir parar,  se tomo as dores dos que estimo, se a quem amo eu falo sem cessar. Quer me elogiar?? Não olhe as minhas vestimentas, observe minhas atitudes, busque a minha ajuda quando dela necessitar. Não analise  minha forma física, avalie o tanto de tempo que  posso caminhar ao seu lado enquanto você necessitar de companhia, ouça as minhas conversas tolas só pra te dar alegria, Sinta o calor de meus braços quando te envolvo encantada pelo fato de te encontrar.Veja meu lado menina, mesmo já sendo madura, mantido a custas de risos que ninaram meu amadurecer para ele tardar em despertar. Madura estaria enchendo-me de "isso não pode", "isso é feio", "isso não é pra minha idade", "isso não posso fazer". Criança, sou sincera, brinco, não me critico, mantenho, sim, o senso de ridículo, porque é da minha personalidade; falo a verdade tentando não magoar. Quer saber mais de mim?? Gosto de música, de pular no pula-pula, de literatura, de pintar e de bordar, cozinhar pra muita gente, gosto de casa cheia, de entra e sai de amigos e parentes. Amo amar, adoro meus filhos os filhos dos meus filhos e aos que os ajudaram a gerá-los; meu genro e noras queridos. Amo os meus irmãos, meus parentes, meus amigos, aqueles que convivem comigo e os que estão longe também, na mesma intensidade. Adoro plantas, flores, animais. Recatada, eu?? Não sou nem um pouco.Introvertida??Pra mim"essa palavra tem nome de marca de jeans.kkkkkk Falo é feito uma matraca, compensando as horas isoladas que passo durante os dias que fico sozinha, calada em casa,sem ter com quem conversar; chega a me dar agonia. Ah! E fico num pé e noutro, louca que chegue alguém pra eu colocar pra fora tanto das coisas que calei. Da vida dos outros não tomo conhecimento, cada um que cuide de si. Detesto ingratidão, hipocrisia, falsidade, inveja, falta de capacidade, desonestidade, desumanidade e expurgo a traição. Sou assim, como me descrevo e sou de verdade.Não sou flor que se colha, muito menos que se cheire. Amiga de todas as horas, com erros e acertos cometidos, com quedas e tropeções sofridos, supapos e gritos levados, com alegrias e decepções vividas. Mas sigo em frente, sem vergonha de chorar, seja sozinha ou na frente de um monte de gente.  Tento  agir de forma decente. Sou sensível me magoo facilmente, afinal não sou demente.Sou feita de carne e osso como qualquer um.Sou rica de amigos, milionária pela família na qual nasci e pela que Deus me deu.Tenho muito a agradecer. Sou cheia de Amor e de amar. Agora.... conta bancária.... aí a coisa fica preta..... vamos mudando de assunto,  aí não dá pra comentar.Só contabilizo sentimentos, sorrisos e conhecimentos..Nasci nua e estou vestida, alguns dizem até que me visto bem. Por ter vergonha, não faço vergonha a seu ninguém, como minha mamãe me ensinou. Ensinou-me também a não levar desaforos pra casa; bateu levou. e se não batia apanhava quando chegava em casa. Não tenho um pingo de mêdo do perigo e muito menos do que vem  aí pela frente. Procuro dar um sentido a minha vida, vivo aprendendo a viver. Sempre tenho mais e mais pra saber.
 Eu me amo muito e sou muito gente, sou livre, estou  viva,  oxente!!!!!Vou tocando minha vida pra frente até quando deus quiser.

Correr Riscos

"Rir é correr o risco de parecer tolo .
Chorar é correr o risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus  idéias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.
Mas devemos correr os riscos, porque o maior perigo é não arriscar nada.
Há pessoas que não correm nenhum risco, não faz nada, não têm nada e não são nada.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem .
Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade.
Somente a pessoa que corre risco é livre".
                                                                                     Soren Kierkgaard

Madame Bovary

                                              
Procuro nos búzios e no horóscopo o resto da minha dignidade. Tento ser mais cética, mais durona, mas sou totalmente tendenciosa quando alguma coisa diz que eu posso ser feliz. É sempre mais fácil culpar o autosabotamento com signos do zodíaco ou algo que se preze, do que entender que você, independente de onde marte esteja neste exato momento, gosta de arrancar as próprias penas apenas para ver aonde dói.
Gosta de se cutucar para ver aonde sangra, aonde incomoda, que parte do seu corpo sente mais falta dele, em que momento do dia você perde a razão, fica sem ar, o porquê grita tanto internamente ao ponto que se deita exausta de tanta coisa que é sua, mas que você não sabe lidar, e por isso é fácil apelar para o impalpável e para todas as superstições existentes para que tirem a culpa que você carrega de querer tanto ser como os outros, mas não é.
O amor que tanto se proclama, dessa busca e espera infindável, "que chegue e será bem vindo, que será esperado" que some em alguns meses, que se sobrepõe na esquina por um outro qualquer, por essa falta, esse buraco no estômago, essa fome de se sentir amado, de se sentir querido, de se sentir seguro, quando amor é nada além da sensação de estar caindo e não saber onde se segurar.
E por isso eu culpo toda e qualquer manifestação esotérica, pelo meu amor volúvel que vai para qualquer pessoa que me desperte algo que valha terminar o dia, e sendo assim é mais fácil despejar em alguma coisa impalpável a minha incapacibilidade de ser como o resto das pessoas.
Porque eu nunca tive motivos para acreditar em nada que dure para sempre. Porque eu sempre fui tocada pelas mais diferentes formas de vida e por qualquer frase um pouco mais inteligente, porque dói entender que a posição da lua não interfere no quanto eu morro um pouco todos os dias. Porque eu acredito em tudo e isso de não descartar nada, me faz voltar para casa depois de me apaixonar a cada esquina, e querer uma cama só.
Eu me machuco pra saber onde dói, mas hoje sei exatamente que parte de mim sente mais falta dele. Tudo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Um simples telefonema

Que magia maravilhosa, que força fenomenal tem o som da sua voz!!! Numa conversa tão corriqueira, fui arrastada de uma tristeza que detonava minha paz interior, para um estado de êxtase, de nirvana, de devaneios. Faltava isso: ouví-lo. Só isso: saber que existo pra você!!!! Foi tão simples, tão instantâneo e tão encantador. Minha angústia era tremenda, me remoia, doía. Nem sabia se valia á pena continuar insistindo em sonhar com esse sentimento tão forte, que me consome, me enche de incertezas. Desobedeço à razão, sigo no impulso de um coração impetuoso que bate em meu pensamento convencendo-o  que devo resistir, insistir, persistir, me fazer sentir por ele. Sigo meu instinto feminino que se nega a parar de se enamorar. Ordena-me que jogue todas as fichas no vermelho e grita: vermelho coração!!! E a roleta da vida gira, esperando ganhar essa aposta. Coração irreverente, enquanto diminuia a velocidade ele gritava mais forte, mais insistente...acelerando forte  e a roleta obediente, como eu parou em ti. Demorou horas como se fossem dias, dias como se fossem meses, mas parou. Feliz, olhos reluzentes, a tristeza tomou rumo incerto expulsa por um simples: Alô!!! Bastou isso, foi tão pouco e já me sentia outra, confiante, achando que valeu a espera.
Queria amar menos, pensar menos, desejar menos.... mas não consigo. Aprendi que tenho que amar até doer.E é assim com amor doendo que amo você, meu eterno bem querer.